sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Ouch.

Dói e dói muito e não consigo perceber o porquê.
Este ano está tudo diferente, eu estou diferente e não estou a gostar daquilo em que me estou a tornar.
Estou quase sempre assim assim. Nunca muito mal, nunca muito bem. Sinceramente perturba-me o facto de já não ser aquela pessoa irritantemente feliz que costumava ser e que desencantava um sorriso do fundo de um poço.
Crescer é isto? Se é não quero crescer. Apetece-me estar feliz, sorrir a toda a hora. Ultimamente pareço um zombie. Tudo me irrita, tudo me deita abaixo. Logo eu, que sou tão grande e tenho tão bom corpo para aguentar os ventos ligeiros que sopram contra mim sem tombar. Eu não sou assim, eu sou forte e eu aguento. Não costumo mostrar o que realmente se passa por detrás do disfarce do baile de máscaras. Talvez seja esse o meu problema. Não costumo chorar, finjo que não ligo grande coisa a algumas atitudes que me chateiam, a problemas que me intrigam e a enigmas sem solução. Guardo tudo para mim, aguento a tortura do meu pensamento crítico e inflijo em mim recriminações sobre o meu próprio pensamento. Sou um problema meu.
 Preciso de mim e tenho dificuldade em encontrar-me. Preciso de ti e tenho ainda mais dificuldade em encontrar-te.
What the hell is wrong with me?

Bisavós

Vô e Vó. Não lhes chamo ''bisavós'', não lhes chamo '' os avós velhos''. Chamo-lhes Vô e Vó, mas também lhes podia chamar pai e mãe. Hoje fui lá a casa e como sempre estavam a beber o café.
O Vô partia o pão aos bocadinhos e molhava-o no café, com uma paciência de Santo. Aquelas mãos escuras e enrugadas, fortes e gentis que tantas vezes senti tocar nas minhas, brancas e suaves,  com o carinho e amor de sempre.  Os olhos claros, vidrados e cansados, que já viram passar quase cem anos de História, olham para mim como se ainda fosse pequenina, quando vinha da escola nas tardes frias e chuvosas de Inverno e brincava lá em casa até à noite.
A Vó estava sentada no sofá, com o lencinho branco na mão. ''Oh filha, estou sempre de pingo ao nariz...'' diz-me com aquela mesma voz doce e precipitada que me ensinou a falar. Os olhos azuis, aguados e já fatigados, fixam o burralho por detrás dos óculos fundo-de-garrafa velhos e embaciados. Não interessa, a Vó está a olhar mas não está a ver. O que ela vê são as memórias. Passa os dias trancada no seu pensamento, a rever o que passou. Fala pouco e diz quase sempre as mesmas coisas. É da idade. Ainda assim, tem no rosto a mesma expressão que lhe conheço desde que sou gente. Sorriso ligeiro, olhos vincados pelo passar do tempo, rugas marcadas e um ar de paz, de tranquilidade.
Fazem-me sentir tão humilde e tão grata. Eles criaram-me, deram-me os valores que tenho e nunca terei com ninguém uma ligação como tenho com eles. Não digo tão forte, digo sim tão especial. Nunca ninguém será capaz de entender o que temos, porque mais ninguém o tem. Era capaz de passar o resto do dia a olhar para eles...
"O Mundo é tão lindo, e eu tenho tanta pena de morrer."

sábado, 6 de novembro de 2010

Sim, tu.

So don’t let them hurt you
They don’t feel like we do
They hang on to things
They’re puppets with strings
With no one to pull
So don’t let them push you
Don’t let them use you
And even if you fall
Just say “fuck them all
Sinceramente, este ano não estou com paciência nenhuma para te aturar. Não passas de uma menina mimada que sente a necessidade de ser superior aos outros para se sentir bem consigo própria. Tenho pena de ti. Acredito que essa não é a melhor maneira de encarar a vida, mas tu é que sabes. Só não venhas depois com falinhas mansas porque tanto eu como tu sabemos que não estás a ser verdadeira. És mesquinha, interesseira, maliciosa e francamente de vez em quando um bocado mal educada. Não sabes ajudar os outros porque tens medo que se o se o fizeres eles sejam melhores que tu. Acorda miúda, a vida é muito mais que isso. Em Junho isto vai acabar e tu não vais saber o que fazer. Diverte-te e não leves tudo tão a sério. Sê menos competitiva, só te fazia bem. You're a puppet with strings with no one to pull. And that's just sad, so I won't let you hurt me.
Desculpa, precisava de dizer isto. Agora já está tudo bem (:

Cheiro presente.

Já tinha sentido o teu cheiro cá em casa. Quando entrei na cozinha na terça-feira à tarde fiquei imóvel. Sentia alguma coisa estranha mas muito familiar e dei por mim a relembrar momentos passados, daquelas lembranças que trazem ternura. Não sabia porquê. Afinal, já passou tanto tempo...
Depois respirei fundo e saí. Passou tudo. Pensei para comigo: "Não pode ser, estás a dar em doida."
Acontece que era verdade. Era mesmo o teu cheiro, eu não estava maluca. Pois, o meu pai decidiu comprar um perfume igual ao teu. Agora é que estou bem lixada -.-
A minha casa cheira a ti e isso não é bom para mim. Parece que viajei no tempo e recuei uns meses, voltei para quando tu e o teu cheiro ainda faziam acelerar o coração e sortiam em mim o efeito de completa satisfação e plena felicidade. Mas não. Não me posso esquecer do que vinha sempre depois disso.
Deixa lá, tu és um passado que não vai voltar. E o teu cheiro, ainda que presente, será sempre uma lembrança do quanto me fizeste sofrer...
Até já, amigo (: