sábado, 16 de abril de 2011

Strange desire 2

“Seu burro, o que é que estás a fazer?! Esta é a oportunidade pela qual tens estado à espera, aproveita-a!” Respirou fundo e encheu o peito de coragem. Chegou-se ao pé de Inês e tocou-lhe no ombro. Esta deu um salto de susto. Depois de se recompor e de se levantar olhou para ele.
  Estava com uma expressão de espanto na cara que Pedro chegou a temer. Inês não conseguia acreditar que ele estava ali. Mergulhou de imediato naqueles olhos verdes que sempre achou tão grandes, tão puros. À medida que as pupilas dilatavam ia mergulhando mais fundo naquela alma, naquele sentir, enquanto o seu pensamento vagueava por todos os momentos que tinham partilhado. Estava a ter uma experiência sem igual. Viajava num vórtice de memórias e sensações que antes lhe pareciam apagadas, e agora experimentava de novo de maneira tão real.
  Ficaram assim, imóveis durante alguns segundos. Inês ainda sem desviar os seus belos olhos castanhos do verde dos olhos de Pedro deixa cair uma lágrima.
-Inês? – diz Pedro, acordando-a do sono profundo em que se encontrava.
  Ela nem respondeu. Correu para os braços dele com a mesma vontade de fugir como a que tinha de o abraçar. E assim estavam, há mais de meia hora.
  Ela com os braços à volta do pescoço dele, a cabeça encostada ao seu ombro. Podia sentir o seu cheiro, que misturado com aquela brisa marítima a embriagava de vontade, de felicidade, ao mesmo tempo que sentia a pena de não poder fazer o que estava a fazer, a dor de reviver o que já sofreu.
   Ele abraçava a sua cintura com a mesma força com que abraçava dantes, a mesma força que dizia: não me deixes outra vez, porque eu nunca mais te vou deixar ir… Podia sentir o bater do coração dela. Sentia tanta vontade de ter o seu coração a bater perto do dela. Aquela vontade esmagadora que parece que sufoca, aquela vontade visceral, cruel e doce de arrancar os dois corações com as próprias mãos e os juntar, os fazer tocar, para sentir a explosão do sentimento de pura paixão, o êxtase. “Quem me dera poder perfurar o teu peito e o meu, livrar-me das roupas, do músculo e do osso que separa os nossos corações e os unir para sentires o mesmo que eu sinto, para veres que isto é real….” Pensava ele. 

domingo, 10 de abril de 2011

Strange desire

    Estavam abraçados há mais de meia hora. O mar estava calmo, as ondas batiam devagar como se as forças divinas que as comandam tivessem encontrado a serenidade de quem se apaixona. Soprava apenas uma leve brisa, salgada e fresca a cortar o ar quente, abafado. O sol brilhava com o tom baço de um fim de tarde de Abril. Pedro e Inês nunca tinham sequer pensado que o reencontro pudesse ser assim, tão repentino, não planeado, surpreendente.
    Encontraram-se por acaso, no mesmo restaurante à beira-mar. Era o aniversário da mãe da Inês e como sempre tinham ido ao seu restaurante preferido. A família era numerosa e reunia-se à volta da mesa como se estivesse a celebrar a própria vida, rindo, conversando... Inês lembrou-se da última vez que ali tinha estado. Aquela noite. Naquela noite tão impiedosa e impaciente que mal podia esperar para destruir os seus sonhos. Ao lembrar-se disto Inês foi invadida por um sentimento de solidão, de desespero e mágoa. Não podia deixar que a mãe a visse chorar, não naquele dia… Pegou no casaco e saiu. Disse à mãe que tinha que fazer um telefonema, coisas urgentes de trabalho, não tarda nada estaria de volta. Ela não estranhou, não seria a primeira vez.
     Era também a noite do jantar de curso de Pedro. Todos os anos, pela mesma altura, Pedro e os seus colegas de curso organizavam um jantar, para manter vivas as recordações e não deixar perder as amizades. Cada vez que entrava naquele restaurante Pedro sentia remorsos. Afinal, tinha sido naquele sítio que Pedro tinha cometido o maior erro da sua vida. Tentou fazer-se forte mas no fundo sentia aquela tristeza de quem não se percebe a si próprio, aquela desilusão de quem erra. Os amigos não notaram. Encontraram-se antes num pequeno bar para irem depois todos juntos para o restaurante. Pedro não levou o carro, a noite prometia e já havia um condutor designado. “Os jantares com a malta nunca acabam bem, o melhor é prevenir”, pensou ele. Quando chegou ao restaurante não podia acreditar. Viu Inês sentada a olhar para o mar, talvez em busca da reconfortante solidão daquela vasta imensidão para complementar a sua. Sozinha, descalça, enroscada no casaco claro. O cabelo comprido, encaracolado, caía-lhe pelas costas em largos canudos, “tapando-lhe as asas de anjo”, pensou Pedro.  “É ela, só pode ser ela!”. Disse ao André, o amigo com quem tinha vindo, para ir entrado. André ainda perguntou se havia algum problema mas Pedro nem respondeu, já estava a meio do caminho para ir ter com Inês.
     Quando chegou perto dela parou. Inês estava compenetrada naquele cenário solitário, nem sequer tinha ouvido os passos. Pedro questionava-se: “Será que ela me quer ver? Talvez seja melhor não lhe dizer nada…”

sábado, 9 de abril de 2011

Ah poisé, bebé.

Sabes da cena Maria Madalena?! Tou de férias. Isso mesmo, férias. uma semana de papo pró ar a ver filmes e a dormir e comer e tudo e tudo. E depois uma semana de loucura e parvoeira em Gouvs, que nunca mais chega. Estou para ver se sempre vai ser a melhor semana de férias :D
As férias não têm só coisas boas, vou ter saudades de umas poucas de pessoa, de quem eu gosto muito e sem as quais não posso passar :x Também me vou ver livre de outras que não fazem falta nenhuma ;) Mas isso resolve-se bem, e o que interessa é que durante 2 semanas não vou ouvir falar em testes e estudo e médias e etc.
Aiiiii, dormir sabe tão, tão bem :D

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Grrrrrr

Opá, juro que nunca na minha vida estive tão chateada contigo como estou agora, irritas-me mesmo, apetece-me dar-te um murro no meio da testa mas já me avisaram para não ser tão violenta. Não percebo como é que podes ser tão bom para mim umas vezes e depois transformares-te completamente noutras. É incrível, apetece-me escrever 3 páginas de texto mas se escrever só vão sair insultos, por isso mais vale estar quietinha. Really, às vezes desiludes-me tanto.
Se acordasses prá vida não te fazia mal nenhum.

P.S.: Chegou-me aos ouvidos que o meu blog anda muito mal frequentado -.- Cada vez tenho menos paciência para essas porcariazitas de gente parva com a mania da perseguição. Mas isto é assunto para todo um outro post, e não hoje. Bye bye, vai fazer algo de útil com a tua vida -.-

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Não chega...

... porque nada é assim tão simples.

domingo, 3 de abril de 2011

I don't wanna move a thing.

Sabes aqueles filmes a preto e branco? Naqueles que ainda nem sequer têm som. Tu vês e tens a sensação de que, se deres à manivela consegues fazer rodar a fita para trás e fazer com que o filme volte ao início, consegues trocar as imagens como fotografias e voltar ao passado. Naquele início e naquele passado em que não reparavas em mim e em que eu só reparava em ti. 
Só peço que não voltes ao início, porque sem a expressividade do teu olhar e sem aquilo que dizemos com as nossas palavras mudas nada seria o mesmo. Obrigada por já não sermos como éramos, está a fazer-me muito bem :)

sábado, 2 de abril de 2011

Ora aí está o que é.

Às vezes sinto-me tão maior que os problemas que me colocam. Não falo de mania das grandezas, não. Embora possa parecer, como várias vezes já me disseram, que tenho um feitio difícil e que tenho muita "mania" não é nada disso de que estou a falar. Tenho um feitio relativamente torcido, sim, mas isso são outras conversas. O que estou a falar é diferente. Estou a falar de ser maior, ou de querer ser maior em espírito. Não, também não é bem isso. Não me estou a fazer entender... Às vezes penso que a vida é tão maior que eu. Sim, agora sim. A Vida é tão maior que eu. Os meus problemas são tão insignificantes quando comparados com aqueles que ainda vou ter. Com certeza que isto não é só o que tenho para dar. O que eu quero dizer é que há tanta coisa para fazer nesta vida que fico perplexa com a quantidade de escolhas que tenho para fazer. E depois fico a pensar: "O resto do pessoal da minha idade também pensa como eu? Sou mesmo estranha -.- " Acho que as aulas de filosofia me fizeram demasiado problematizadora... Hoje foi um daqueles dias em que me deu para pensar em tudo. Acho que esta vida não vai ter tempo para tudo o que quero fazer. Apetece-me ser tudo e mais alguma coisa, experimentar o que quiser e bem me apetecer, fazer tudo o que há para fazer, visitar todas as culturas, todos os países, acabar com todas as guerras, resolver todas as crises. Apetece-me ser brilhante. Como eu gostava de ter um daqueles dons que fazem as pessoas especiais  ainda mais especiais. Apetecia-me ser uma daquelas mulheres retorcidas e dominantes, corajosas. Depois apetecia-me ser uma daquelas mulheres doces e sensíveis. Se calhar sou bipolar xD
Por enquanto não encontro respostas. É que como quero ser tanta coisa diferente, acabo por não ser nada e ficar no mesmo impasse. E agora, que caminho escolho?
Pois acho que não interessa. No matter  what I choose, I'm probably gonna be great at it. And if I'm not, then I can always change, it's not like I've always had just one option.
O que me apetece mesmo é ser livre. Fazer tudo fazendo nada. Faz algum sentido? Não. Eu não faço sentido. Mas não é algo com que me importe muito.
Mais uma coisa com a qual não me importo: about 3/4 of what people say or think about me. Nunca tive inimigos e acho que continuo a não ter. Se tenho, não fiz por isso, apenas vivi a minha vida. Não gosto de algumas pessoas mas não se pode (nem se quer) agradar a todos\as. Cansei-me de ser aturar sociavelmente e pacificamente com determinados tipos de dramas e falsidades. Não levanto ondas desde que não as levantem a mim. Também não me faz muita diferença, que vozes de burro não chegam ao céu :)
Hoje tenho pensamentos tão vagos que escrevo e só sai porcaria. Apetece-me escrever mas não pensar, raciocinar ou aplicar qualquer tipo de regra. Divagar, apetece-me imenso divagar. Fico então por aqui, e volto amanhã com qualquer coisa com mais sentido.

E assim se escreve um texto sem qualquer tipo de nexo ou sentido what so ever, a começar numa coisa e a acabar noutra totalmente diferente e sem aparente ligação entre assuntos. Hasta ;)