“Seu burro, o que é que estás a fazer?! Esta é a oportunidade pela qual tens estado à espera, aproveita-a!” Respirou fundo e encheu o peito de coragem. Chegou-se ao pé de Inês e tocou-lhe no ombro. Esta deu um salto de susto. Depois de se recompor e de se levantar olhou para ele.
Estava com uma expressão de espanto na cara que Pedro chegou a temer. Inês não conseguia acreditar que ele estava ali. Mergulhou de imediato naqueles olhos verdes que sempre achou tão grandes, tão puros. À medida que as pupilas dilatavam ia mergulhando mais fundo naquela alma, naquele sentir, enquanto o seu pensamento vagueava por todos os momentos que tinham partilhado. Estava a ter uma experiência sem igual. Viajava num vórtice de memórias e sensações que antes lhe pareciam apagadas, e agora experimentava de novo de maneira tão real.
Ficaram assim, imóveis durante alguns segundos. Inês ainda sem desviar os seus belos olhos castanhos do verde dos olhos de Pedro deixa cair uma lágrima.
-Inês? – diz Pedro, acordando-a do sono profundo em que se encontrava.
Ela nem respondeu. Correu para os braços dele com a mesma vontade de fugir como a que tinha de o abraçar. E assim estavam, há mais de meia hora.
Ela com os braços à volta do pescoço dele, a cabeça encostada ao seu ombro. Podia sentir o seu cheiro, que misturado com aquela brisa marítima a embriagava de vontade, de felicidade, ao mesmo tempo que sentia a pena de não poder fazer o que estava a fazer, a dor de reviver o que já sofreu.
Ele abraçava a sua cintura com a mesma força com que abraçava dantes, a mesma força que dizia: não me deixes outra vez, porque eu nunca mais te vou deixar ir… Podia sentir o bater do coração dela. Sentia tanta vontade de ter o seu coração a bater perto do dela. Aquela vontade esmagadora que parece que sufoca, aquela vontade visceral, cruel e doce de arrancar os dois corações com as próprias mãos e os juntar, os fazer tocar, para sentir a explosão do sentimento de pura paixão, o êxtase. “Quem me dera poder perfurar o teu peito e o meu, livrar-me das roupas, do músculo e do osso que separa os nossos corações e os unir para sentires o mesmo que eu sinto, para veres que isto é real….” Pensava ele.