Há uns dias tive uma conversa com o meu bisavô. Normalmente não passo mais de dois dias sem o ver mas tinha tido uma semana cheia de coisas para fazer e já não o via desde a semana passada. Contou-me histórias sobre a minha infância, fez-me rir e no fim disse-me "Tenho tanto amor a ti e ao teu irmão como tenho aos meus próprios filhos. Se precisassem deixava de comer para vos dar a vocês. Graças a Deus não precisam". E eu, lágrima no canto do olho, prestes a transbordar e escorrer pela minha cara.
Como é que é possível que este sentimento tão evidente cause tal emoção apenas ao ser traduzido por palavras?
É-me tão difícil dizer amo-te como tentar lamber o meu próprio cotovelo -.- Quer dizer, embora dizer isto a uma pessoa não seja fisicamente impossível como o acto que acabei de descrever, custa pra caramba!
Porque é que custa? Não sei. Porque é que para ti é diferente? Isso sei. É diferente porque tens 93 anos. Qualquer dia vou perder-te. É a lei da vida. O dia em que te perder vai ser o pior dia da minha vida, disso tenho a certeza. Não consigo sequer pensar nisso sem que o meu coração bata mais depressa e a frequência da minha respiração aumente. Só pensar quase me causa um ataque de pânico.
Não sei se foi graças a Deus que nunca me faltou nada. Sempre me deste tudo. Sei sim que graças a ti sou agora muito melhor pessoa do que teria sido se não me tivesses ajudado a crescer.
Desde que nasci sei que tenho alguém que me apoia nem que o mundo me caia aos pés. Alguém que nunca me desiludiu e que quer o meu bem. Esse alguém és tu. Não me imagino sem isso, nem quero.
É por isto que dizer amo-te a ti é diferente.
É mais difícil, porque és tu, avô.