segunda-feira, 12 de abril de 2010

Noddy.

Ora bem, na sexta feira, que por sinal foi o último dia de férias propriamente ditas, fui cumprir o meu dever como cidadã do Mundo (exemplar, diga-se de passagem) e fui até ao notário renovar o Meu Bilhete de identidade. Ou melhor, fazer o CU. E não, não é o traseiro, a bunda ou qualquer outro nome que se dê ao bom do rabiosque. É o Cartão Único.
Portanto, entro naquele adorável espaço que só dá vontade é de dormir e deparo-me com duas criancinhas. Também elas vêm fazer o útil CU. A fotografia utilizada para embelezar o CU é tirada por uma maquineta cinzenta que tem uma câmara para onde a pessoa deve olhar enquanto a senhora carrega no botão.
Ora bem, chegada a hora de uma das crianças tirar a bela da fotografia, a senhora leva-a para dentro para ao pé da máquina. Eu fico sentada numa cadeira muito confortável, a olhar para papéis que falam sobre certidões de nascimento. Sendo eu filha de um advogado, é um assunto deveras interessante (talvez não...). Estava muito bem a ler aquele documento importantíssimo, quando ouço: "Ola meu querido, se estiveres quietinho a olhar para aquele pontinho ali sai de lá um Noddy!". À minha mente vieram logo dezenas de ideias de onde vem tanta parvoíce, enquanto na minha cara predominava um olhar de espanto e admiração. Ora desta eu não estava à espera. Um Noddy voador que sai de uma câmara fotográfica... Esta tecnologia evolui a olhos visto!
Quando o miúdo perguntou: "Então, onde é que está o meu Noddy?!", a senhora (que chamou Edite à minha mão uma dezena de vezes, embora ela se chame Judite -.-) respondeu: " Já está em casa. Quando cegares a casa já lá está." Ora a pobre criança caiu na primeira asneira de acreditar que o Noddy ia sair da máquina fotográfica, ainda o enganam uma segunda vez ao dizer que o boneco está em casa à sua espera. Esta sociedade... Com certeza a criança vai crescer para se tornar um qualquer tipo de psicopata por ter sido enganado não uma mas duas vezes pelas senhoras do notários, senhoras essas em que, por fazerem parte do serviço público, é depositada uma certa confiança. Com certeza que ao constatar que as senhoras o enganaram, ficará traumatizado para o resto da vida.
Basicamente, era isto que queria dizer. Os perigos que as senhoras do notário (ou tribunal ou lá o que é aquilo) constituem para a sociedade.
Para além disso fiquei imediatamente aterrorizada com a ideia de alguém me dizer: " Se estiveres paradinha sai dali uma Kitty, ou uma boneca da Hannah Montana!". O que vale é quenão tenho que lá voltar por uns bons anos. Deus me livre e guarde!

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